Os Clássicos da São Paulo Companhia de Dança


Sejam bem-vindos à edição 2022 de posts diários do Vídeos de Ballet Clássico! Todos os anos, durante o mês abril, mês em que se comemora o Dia Internacional da Dança, eu faço um post por dia. É a aventura mais insana, tem vezes que me atrapalho, mas é sempre muito gostoso!
E pra começar o pé direito, trago uma seleção de obras disponibilizadas pela São Paulo Companhia de Dança durante a pandemia. São links oficiais do youtube, do canal deles, que descobri estarem ativos pesquisando meu histórico de exibição. Eu pretendia ter feito esse post há mais tempo, mas um dos links tinha sido colocado como privado. Só ontem percebi que voltou a aparecer como não listado. Sendo assim, por que não compartilhar?
Os espetáculos são clássicos, compartilhados dentro do selo "obras a la carte". Uma das obras, Suíte de Raymonda, esteve presente na programação da edição digital do Finba Cali 2020. Sobre esse espetáculo, eu tenho uma história pra contar.
A apresentação em questão aconteceu no dia 08/03/2020, última récita presencial da companhia antes da pandemia começar. Eu estava lá e foi emocionante não só pela dança em si, mas também pela música. Nesse dia, o espetáculo foi acompanhado por música ao vivo, com a Orquestra Jovem do Estado de São Paulo, sob regência de Cláudio Cruz. Dos tantos espetáculos que já assisti da SPCD, foi a primeira vez que peguei lugares na plateia lateral, no último andar. A visão do palco não era muito boa, mas tive uma visão privilegiada da orquestra. No dia, o espetáculo foi composto não só por Raymonda, como também pela estreia de Aparições, criação de Ana Catarina Vieira, e duas obras orquestrais antes de cada ballet. A que acompanhou Raymonda foi a abertura da ópera Ruslan e Ludmila, de Mikhail Glinka. Quando começou a tocar a música, senti uma emoção indescritível e me lembrei de uma situação que vivenciei anos antes.
Antes de entrar no ballet, meu sonho era ser pianista de orquestra, queria fazer faculdade música. Hoje eu percebo que eu não tinha conhecimento de música o suficiente pra passar no vestibular na época. Se não bastassem as provas tradicionais, que já são puxadas, eu teria que fazer provas específicas de música e teria que provar que era uma pianista exímia. Ao contrário do jornalismo, onde você entra pra aprender, na música você entra aprimorar. No ano que eu deveria prestar vestibular, acabei prestando uma prova para a Escola Municipal de Música, ligada ao Theatro Municipal de São Paulo. Dentro da sala de exame, de todas as perguntas que poderiam ser feitas antes da parte prática, um dos professores fez uma que eu não contava: "você já assistiu um concerto ao vivo?" Na hora eu travei. Até aquele momento, começo de 2008, eu nunca tinha assistido nada de clássico ao vivo, nem ballet, nem ópera, nem concerto. Vontade não faltava, faltavam oportunidades... Para não me sentir por baixo, eu disse que sim. Ele precisava saber? Logo em seguida, ele perguntou: "mas qual foi o último?" Eu estava tão nervosa que eu não consegui pensar em nada! Falei a verdade e dei meus motivos. Aquele professor ficou tão indignado que gritou comigo: "como você sabe que quer ser pianista se nunca assistiu um concerto ao vivo? Você não sabe o que quer!". Isso ficou muito marcado dentro de mim.
Por essa e outras razões, a música acabou ficando em segundo plano, eu não queria saber de tocar nenhuma partitura de tanto que mexeu comigo. Foi nesse meio tempo que me voltei para a dança. Eu já era apaixonada, mas a partir daquele ponto, eu passei a me dedicar 100%. As coisas foram acontecendo: criei uma comunidade no Orkut, depois o blog, depois comecei nas aulas práticas de ballet, abri um canal no youtube, consegui grandes parcerias, entre elas a São Paulo Companhia de Dança, tenho um perfil no instagram que só cresce a cada dia, criei meu próprio workshop online e sabe-se lá aonde eu ainda vou chegar... 
Com o passar dos anos, eu pude assistir inúmeros espetáculos ao vivo, inclusive o Mariinsky e o Bolshoi. Vários desses, com música ao vivo. Mas em nenhum eu tive uma visão tão privilegiada da orquestra como nessa apresentação da SPCD. Hoje eu tenho certeza de uma coisa: eu não perdi a música, ela não ficou em segundo plano. Ela sempre esteve presente na minha vida, só que de outra forma, através da dança. Talvez seja por isso que no dia dessa récita de Raymonda, eu tenha chorado tão emocionada, tão sentida...
É com essa emoção que a dança nos traz que inicio mais uma série de posts diários. Aproveitem! 
Os Clássicos da São Paulo Companhia de Dança
Companhia:
São Paulo Companhia de Dança
Obras:
- O Espectro da Rosa
Ano: 2014
Elenco:
Luiza Yuk como A Jovem
Yoshi Suzuki como O Espectro da Rosa

- Suíte de Raymonda
Ano: 2020
Elenco:
Paula Alves como Raymonda
Mateus Rocha como Jean de Brienne
Link oficial no Youtube:


*Edit 21/05/2022: Infelizmente, os quatro clássicos que estavam no youtube foram retirados pela companhia. No lugar, deixo o link oficial do canal do Finba Cali de 2020, que continua ativo, assim como os vídeos das outras companhias que participaram do evento na ocasião. Aqui, vocês podem conferir O Espectro da Rosa e a Suíte de Raymonda. Peço desculpas à todos, leitores e direção da SPCD, a quem tenho respeito pela parceria que cultivamos até o dia de hoje.

Comentários