Ballet "Andrey Rublev"

Para quem pensou que eu ia acabar com o blog, pensou errado! Cá estou, sigo tocando o barco na minha missão de compartilhar a dança com vocês!
Mas devo confessar que, dessa vez, eu fiquei um pouco baqueada... Não exatamente por ter que tirar alguns títulos, mas me fez pensar na questão delicada que cerca esse projeto. A razão de existir do Vídeos de Ballet Clássico é facilitar o acesso a um material que é difícil conseguir, ainda mais num país como o Brasil. Quem é do meio tem lutar e muito pelo reconhecimento da arte e da cultura por aqui...
Na última quinta, eu fiz um post GIGANTESCO, no qual tracei um panorama geral da distribuição audiovisual desse tipo de conteúdo no país. Mais do que isso, eu fiz um desabafo! Até por isso o texto ficou enorme, e não sei dizer quantos de vocês o leram na íntegra antes de eu tirar do ar. Por isso, vou dar uma resumida, passando pelos principais tópicos.

Na TV:
Rede Globo: É INCRÍVEL pensar que a maior emissora de TV aberta do país, algum dia, se importou com esse tipo de conteúdo, mas é verdade! Ao longo dos mais de 50 anos no ar, houve dois programas de grande expressão que exibiam ballets, óperas e concertos: o Concertos Internacionais (que eu já citei várias vezes aqui no blog) e o Concertos para a Juventude, que era exibido semanalmente e ficou no ar por praticamente duas décadas!

Rede Manchete: A saudosa emissora fundada por Adolpho Bloch também teve em sua grade programas voltados para a exibição desse tipo de conteúdo. O grande destaque vai para o registro feito de Giselle, com o ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, estrelado por Ana Botafogo e Fernando Bujones. O DVD oficial existe, mas se quisermos comprar o original de uma gravação NACIONAL, temos que recorrer à importação...

TV Cultura: Acho que o nome da emissora já diz tudo né? Eleita em 2014 a segunda melhor emissora de TV do mundo em qualidade de programação, perdendo apenas para a BBC de Londres, a Cultura sempre se preocupou em trazer esse tipo de conteúdo. Seja com as exibições de O Quebra-Nozes no final do ano ou programas como o Fortíssimo e o atual Clássicos, eles fazem um trabalho de excelência!

Bravo Brasil/Filme&Arts: Se não bastasse ter programas de qualidade em sua grade, a TV Cultura chegou a investir na criação de um canal voltado para a exibição de ballets, óperas e concertos na década de 1990, o Bravo Brasil. Existiu entre 1996 e 1999, depois foi extinto e deu origem ao Filme&Arts, que ficou até 2016 na grade da TVA/Vivo TV. Em 2018, depois de dois anos fora do ar, o canal foi retomado e atualmente, faz parte da grade da NET/Claro TV e da Sky.

Arte1: Fundado em dezembro de 2012, o Arte1 veio pra ficar! Focado em programação para todos os tipos de arte, é claro que a dança não poderia ficar de fora! Sempre tem alguma apresentação rolando e atualmente, são mais voltadas para o moderno e contemporâneo.

TV Senado: Nem toda a programação desse canal é política! Embora não fosse especializado em ballet, o Quem tem medo da Música Clássica?, apresentado pelo saudoso Arthur da Távola, era incrível! Ele explicava, de forma didática, os concertos que eram exibidos, desmistificando o universo da música clássica. Após sua morte, o programa Conversa de Músico, apresentado por Lincoln Andrade, ficou em evidência e segue o mesmo molde. No campo da dança, posso citar a exibição, por algumas vezes, da versão circense de O Lago dos Cisnes, com a Guangdong Acrobatic Troupe of China.

Disponibilidade em VHS/DVD/Streaming:

Na época em que a Globo passava os programas citados, a Globo Vídeo chegou a lançar uma série de VHSs de vários espetáculos de ballet, ópera e concertos. Eu já tive acesso a uma dessas fitas, mas não sei dizer se eram realmente populares...

Mais tarde, em 2008, a Planeta de Agostini lançou a coleção O Melhor do Ballet, que já passou por vários países e aqui no Brasil, foi assinada por Ana Botafogo. Apesar da coleção ter tido data marcada para terminar (ao todo, foram 40 fascículos), foi uma oportunidade de ouro de adquirir DVDs originais por um preço acessível.

Mais recentemente, a Globosat mantinha um serviço de streaming nacional voltado para esse tipo de conteúdo, o Philos TV. Tinha uma boa seleção de obras, inclusive os clássicos que a gente ama! Por vezes, peguei a exibição de alguns na própria Globosat, mas em julho de 2020 o serviço foi descontinuado.

Não sei dizer se existiram ou existem mais programas/canais dedicados ao gênero na TV brasileira, mas dá pra gente perceber que essa trajetória é cheia de altos e baixos. Em termos de programação na TV, a TV Cultura, o Filme&Arts e o Arte1 estão fazendo um excelente trabalho com a programação de dança! Embora ainda não tenha uma grande variedade, nós estamos no caminho. Em termos de streaming, encontrei três a nível nacional: Arte1 Play, Cennarium e Stage Pluss. Há uma seleção e propostas interessantes em ambos, mas muitos materiais importantes, infelizmente, não estão presentes.

O que nos leva de volta ao velho dilema: Como prestigiar os originais se a maioria dos materiais, tão essenciais para estudo, pesquisa e (por que não?) entretenimento, estão disponíveis apenas fora do país e nem todos tem reais condições de ter acesso?

O que eu faço nesse blog não é uma tarefa fácil e hoje eu percebi o quanto sou corajosa! Quem me acompanha desde o começo, sabe da luta que é... Todas as quedas de servidor, as notificações de retirada de material... Muitos já me disseram: "Admiro sua paciência. Se fosse eu, já teria desistido!" Mas sempre que alguma coisa acontece, vocês são incríveis! Me dão força e apoio pra continuar, me lembram de todas as pessoas que ajudei, de todas as boas iniciativas que vieram através dessa ideia, de todas as vidas que ajudei a transformar. Isso me emociona e da minha parte é só gratidão!

Nessa história toda, uma coisa é fato: a pandemia nos deu muitas oportunidades de prestigiar diversas companhias, algumas que nem sabíamos que existia! Algumas exibições de modo temporário, outras de forma permanente, mas todas gratuitamente. Pensando nesse material permanente, disponível em contas oficiais no youtube, eu tive uma ideia: agregar esses links e disponibilizá-los junto aos do Google Drive. Com a essa disponibilidade, vocês vão poder ter acesso novamente a vários títulos que estavam nos rascunhos, devido à conversão de DVD para mp4 ou avi, de modo muito mais rápido. No caso das companhias nacionais, com algumas exceções, eu vou deixar disponível apenas os links do youtube, que são de contas oficiais e, ao que parece, vão permanecer no ar por muito tempo!

Dito isso, vamos ao post de hoje, um ballet inédito de mais uma companhia que eu nem sabia que existia! Direto do Astrakhan State Ballet, que fica na cidade russa de Astrakhan (perto da divisa com o Casaquistão), trago pra vocês a história de Andrey Rublev, que viveu na Rússia no século XV e foi um importante pintor de ícones, afrescos e miniaturas para iluminuras (tipo de pintura decorativa aplicada às letras capitulares dos códices de pergaminho medievais). Pouco se sabe sobre sua vida e uma de suas obras mais importantes são os ícones e afrescos da Catedral da Anunciação no Kremlin, em Moscou. A coreografia é de Konstantin Uralsky e as músicas, de Valery Kikta. Aproveitem!

Andrey Rublev
Companhia: Astrakhan State Ballet
Ano: 2016
Elenco:
Anton Pestekhin como Andrey Rublev
Maxim Melnikov como Insensato
Maria Stets e Vsevolod Tabachuk como Riacho (pas de deux)
Anna Nikonova como Mãe
Link oficial no Youtube:

Depois que estava terminada, me lembrei de uma coisa: além da trajetória na TV e das poucas opções em VHS, DVD e Streaming nacional, nós também tivemos exibições no cinema! Eu já fui em algumas e uma vez até sorteei um par de ingressos aqui no blog. Quem lembra? Mas essa história vai ficar para outro dia...

Comentários

  1. Chato ver que aqui no Brasil não é muito valorizado e que só quem vai atrás consegue achar esse tipo de conteúdo, conheci seu blog ontem e ja considero muito sua atitude de democratizar esses materiais, muito obrigado pela sua coragem

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    Respostas
    1. Oi, tudo bem?
      A questão não é só correr atrás... Seria o máximo se pudéssemos ter acesso mais facilitado aos originais, mas nem todos tem condições de adquirir, seja por questões financeiras ou pela falta de um cartão internacional, por exemplo.
      É uma questão delicada, mas seguimos em frente!

      Obrigada pelo carinho!

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